Estou numa fase da vida em que, acima de tudo, procuro descobrir quem sou.
Penso que já deve ter acontecido a todos, ou pelo menos à maioria, viver durante anos, meses, às vezes até mesmo dias, em que vivemos, pensamos, comportamo-nos de uma forma que achamos retratar aquilo que efectivamente somos.
Isto pode durar para sempre ou pode acabar...
Durará para sempre se nunca olharmos para dentro de nós, para tudo o que nos rodeia, de uma forma diferente; ou se, mesmo que alguém nos alerte que não somos aquilo, nós não queremos acreditar. E ficamos assim..."até que a morte nos separe".
No entanto, também pode acabar, quer seja porque resolvemos olhar para nós, porque alguém se afasta de nós, porque nós nos afastamos de alguém...enfim, por ínumeros motivos em que o principal é pensarmos em nós (pronome pessoal já usado em excesso neste texto).
Para mim acabou. Durante anos vivi uma vida que achava ser perfeita, tinha atitudes que achava serem minhas, próprias da minha personalidade, tinha gostos que achava serem meus, que fui adquirindo ao longo dos tempos, lidava com pessoas que...que nem sequer escolhi ou conheci, estavam ali e eu habituei-me a elas.
Em poucas palavras, eu não construi a minha vida, não escolhi o meu caminho, não caminhei pelos meus passos...deixei que outros o fizessem. E quando me diziam: "um dia vais olhar para trás e arrenpender-te". E eu respondia: "nada disso! eu fiz isto, disse aquilo, não fiz aqueloutro, porque eu quis, porque é assim que eu penso, porque é assim que eu sou".
E deixei-me estar. Cega.
Um dia, acabou. Assim, do nada. "Não dá mais", foram as palavras.
A minha vida acabou naquele minuto, para o resto daquele dia, os meus (?) sonhos desfizeram-se, os meus (?) objectivos desapareceram, estava tudo destruído, eu não ia ser capaz de fazer mais nada!
E foi no dia seguinte que algo despertou. Eu percebi que afinal tinha uma vida, que era minha, com objectivos que eu alcancei, e que, não se destruíam só porque alguém se afastava. Não podia deixar-me ir abaixo. Não tinha tempo. E ergui-me e comecei a caminhar os MEUS passos.
E é agora que percebo que afinal nem eu me conheço. Moldei-me desde muito cedo a situações que eu não escolhi e pensava que gostava. E é agora que a minha vida está a começar, é agora que eu tomo as minhas decisões sem pensar se agrado ou não. É agora que prossigo os meus sonhos sem pensar se é bom ou mau para este ou para aquele.
Confesso que ainda nem sei muito bem quem sou. Procuro descobrir do que gosto efectivamente, não me deixo limitar ao que já conheço como sendo só aquilo de que gosto. Há muito por conhecer, muito por experimentar e, posso errar, mas mais dia menos dia, vou perceber que não era aquilo que queria e mudo de direcção. Porque ainda há tempo.
"Ainda o apanhamos!"
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